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sexta-feira, 4 de março de 2011
segunda-feira, 19 de julho de 2010
GERALD THOMAS - Um período de silêncio para um retorno cheio de inquietações!
Escrevi sobre o Manifesto de Gerald Thomas e lá eu dizia exatamente sobre esta passagem (tempo/espaço) que os artistas necessitam em suas vidas, é uma verdadeira alegria essa notícia, não pelo simples fato de um artista voltar a fazer sua obra, mas por que cada obra tem um valor na vida das pessoas, a arte é agente mutante e transformador, a obra de Gerald faz isso com as pessoas, é notável como o belo e o grotesco em suas obras caminham juntos, e asssim entre platéia e admiradores da sua obra, está sua criação!
Na entrevista ao qual o jornalista afirma a volta dos que não foram, eu fiquei pensando... foi para onde?
Gerald na minha opinião estava engasgado com algo e isso precisava descer e ser digerido. Digerir significa parar de comer e sentir tudo sendo esmagado, triturado e por fim... Merda!!!!
Acompanhar o blog e os textos me fazem conhecer um pouco da produção e dá uma vontade de ver de perto tudo acontecer, mas claro que esse trabalho se vier para o Brasil, o Projeto Salamandra não poderá perder!
breve estréia com tempo marcado!
Nove meses depois de anunciar que abandonara o teatro, o diretor recria, em Londres, a sua companhia;
estréia é em outubro
estréia é em outubro
Estrevista a Arnaldo Bloch
Frames reproduzidos de filmagem em igreja londrina
Parecia coisa de futebol, mas sem direito a despedida em grande arena (apesar de as arenas estarem tanto para as artes cênicas quanto para os esportes): em setembro do ano passado, Gerald Thomas dizia adeus ao teatro numa longa carta em seu blog, com um título igualmente longo (“Manifesto/Minha Independência ou Morte - Tudo a Declarar - It’s a Long Good Bye”).
Num mundo interconectado onde, a seu ver, a cultura, a História e a arte de transformar que ele conhecera se perdem em frivolidades, Gerald preferia partir para outra a render-se ao iTheatre. Eis que, nove meses depois, como sói entre atletas arrependidos, o diretor volta, na moita, aos palcos, recriando em Londres — território onde pouco trabalhou — sua Dry Opera Company (Companhia da Ópera Seca). Nesta entrevista, direto de Nova York, mais novidades. O GLOBO: O que o fez mudar de ideia tão rápido?
GERALD: Conversei com amigos, dentre eles Philip Glass, e percebi que mesmo esses momentos de se sentir um zero à esquerda faziam parte do que somos. Mas sair é uma coisa: sai-se por esgotamento, como foi o caso em setembro do ano passado. Olhei para minha vida e meu trabalho, e não Gostei do que vi. Entrar de novo é mais parecido com ter que pedir licença para viver. Comecei a construir o caminho de volta pela Inglaterra da minha adolescência, onde casei as três primeiras vezes e criei um filho, mas que não me conhecia bem e com a qual tenho uma relação de amor e ódio.
GERALD: Conversei com amigos, dentre eles Philip Glass, e percebi que mesmo esses momentos de se sentir um zero à esquerda faziam parte do que somos. Mas sair é uma coisa: sai-se por esgotamento, como foi o caso em setembro do ano passado. Olhei para minha vida e meu trabalho, e não Gostei do que vi. Entrar de novo é mais parecido com ter que pedir licença para viver. Comecei a construir o caminho de volta pela Inglaterra da minha adolescência, onde casei as três primeiras vezes e criei um filho, mas que não me conhecia bem e com a qual tenho uma relação de amor e ódio.
O GLOBO: Da ida à volta, foi exatamente o tempo de um parto.
GERALD: Um parto de quíntuplos, porque é duro parir uma identidade em vez de uma peça. Você redescobre sua obra inteira e a enxerga como se estivesse vendo algo de um estranho. Não reconhece nada. Olha tudo aquilo justamente como as pessoas que diziam que não entendiam o teatro de Gerald Thomas. Ao renascer, vou me expondo a esse povo todo em Londres sem saber o que está pela frente...
GERALD: Um parto de quíntuplos, porque é duro parir uma identidade em vez de uma peça. Você redescobre sua obra inteira e a enxerga como se estivesse vendo algo de um estranho. Não reconhece nada. Olha tudo aquilo justamente como as pessoas que diziam que não entendiam o teatro de Gerald Thomas. Ao renascer, vou me expondo a esse povo todo em Londres sem saber o que está pela frente...
O GLOBO: Como tem sido o processo de seleção e quando pretende estrear? Já existe o embrião de um primeiro texto?
GERALD: Vi perto de 600 atores em uma semana. Aproveitei um monte. Vamos ver quem resiste ao workshop em agosto
para a estreia em outubro. Vou desenvolver textos para pessoas como o Kevin, um extraordinário ator, a Maria de Lima, portuguesa com sotaque londrino, ou Dan, com aquela cara de judeu que deixa claro de onde viemos e que vamos para a lama. Estou brincando com o título Cain Unable: foneticamente soa como Cain and Abel, os dois irmãos bíblicos, mas quer dizer Caim incapacitado. Os atores ingleses têm uma incrível energia. Podem não ter muita cultura, e isso me impressionou: a grande maioria não sabia quem era Samuel Beckett ou Richard Wagner, nem definir homo sapiens. Mas aqui em Nova York a atmosfera do East Village e do teatro de onde venho está cansada. O establishment venceu mesmo! Quase não há resistência... Já no teatro britânico existe uma longa história de agitprop theater, ou seja, o teatro do opositor.
GERALD: Vi perto de 600 atores em uma semana. Aproveitei um monte. Vamos ver quem resiste ao workshop em agosto
para a estreia em outubro. Vou desenvolver textos para pessoas como o Kevin, um extraordinário ator, a Maria de Lima, portuguesa com sotaque londrino, ou Dan, com aquela cara de judeu que deixa claro de onde viemos e que vamos para a lama. Estou brincando com o título Cain Unable: foneticamente soa como Cain and Abel, os dois irmãos bíblicos, mas quer dizer Caim incapacitado. Os atores ingleses têm uma incrível energia. Podem não ter muita cultura, e isso me impressionou: a grande maioria não sabia quem era Samuel Beckett ou Richard Wagner, nem definir homo sapiens. Mas aqui em Nova York a atmosfera do East Village e do teatro de onde venho está cansada. O establishment venceu mesmo! Quase não há resistência... Já no teatro britânico existe uma longa história de agitprop theater, ou seja, o teatro do opositor.
O GLOBO: Em setembro você dizia não estar pronto para o iTheatre. A nova companhia incluirá o meio digital?
GERALD: Sim. O próprio material dos testes já está disponível em Vimeo (melhor que YouTube porque comporta uma hora ou mais). Mas iTheater se ri a migrar para o território virtual. Isso, não! Porém, ter um departamento de mídias, incluindo a tecnologia G4, sim, com prazer.
GERALD: Sim. O próprio material dos testes já está disponível em Vimeo (melhor que YouTube porque comporta uma hora ou mais). Mas iTheater se ri a migrar para o território virtual. Isso, não! Porém, ter um departamento de mídias, incluindo a tecnologia G4, sim, com prazer.
O GLOBO: Você vai se transferir de NY para Londres? Está casado?
GERALD: Desde dezembro passado estou nessa ponte NY-LON: acho que não consigo me desgrudar mais dessas calçadas. Casei de novo, sim, mas não estou a fim de dizer com quem nem dar detalhes.
GERALD: Desde dezembro passado estou nessa ponte NY-LON: acho que não consigo me desgrudar mais dessas calçadas. Casei de novo, sim, mas não estou a fim de dizer com quem nem dar detalhes.
O GLOBO: Como estão os outros projetos? Cinema e o livro “Suicide note”...
GERALD: Fiz um ensaio, que está no meu videolog, intitulado “Book”. Não é cinema, não é teatro, mas sim uma narrativa, um fio condutor de imagens e ideias que irão pontuar o filme cujo título será “Copywriter” (ideia de Claudio Martins), já que o original, “Ghost writer”, foi literalmente roubado pelo Polanski. Tem gente captando em vários lugares, inclusive no Brasil. Será uma espécie de thriller, inteiramente em película.
GERALD: Fiz um ensaio, que está no meu videolog, intitulado “Book”. Não é cinema, não é teatro, mas sim uma narrativa, um fio condutor de imagens e ideias que irão pontuar o filme cujo título será “Copywriter” (ideia de Claudio Martins), já que o original, “Ghost writer”, foi literalmente roubado pelo Polanski. Tem gente captando em vários lugares, inclusive no Brasil. Será uma espécie de thriller, inteiramente em película.
O GLOBO: Um de seus últimos trabalhos no Brasil foi sobre sua mãe, que falecera. Como andam seus diálogos com ela?
GERALD: Nossa, você instalou microfones aqui em casa? Tenho pensado muito, muito nela. Em como não consegui lidar direito com os últimos anos. E que a coisa teve que se resumir numa peça, através da qual tentei pedir perdão.
O GLOBO: Pelo quê?
GERALD: Falhei em tudo. Não estive lá quando ela mais precisou de mim. Coloquei-a num asilo e achei que estava o.k. Não, não estava.
GERALD: Falhei em tudo. Não estive lá quando ela mais precisou de mim. Coloquei-a num asilo e achei que estava o.k. Não, não estava.
O GLOBO: Você assistiu à Copa?
GERALD: Claro. Fiquei muitíssimo triste com a saída do Brasil. Quase morro.
GERALD: Claro. Fiquei muitíssimo triste com a saída do Brasil. Quase morro.
O GLOBO: E quando você passa por aqui?
GERALD: Nunca excluo o Brasil. Mas, se eu for esperar um convite, fico sentado e viro estátua de sal.
PS: esta tudo aí!!! Londres amor! Londres!
terça-feira, 15 de junho de 2010
Performático Gerald Thomas.
"A obra escrita, falada e imagética, de Gerald Thomas é uma obra performática e totalmente política."
Tive a oportunidade na vida de estudar com Toshi Tanaka por quatro anos, os mais importantes da minha vida na PUC - SP. Conheci sua família, pude ter contato com suas obras, aprendi com ele que o performer é o seu cotidiano, sua vida, sua vida será sua obra e a partir desta idéia de performatividade eu aponto na obra e vida de Gerald Thomas: um Performer Crítico, Inquieto e Político.
Quando Gerald escreve sobre parar de fazer teatro esta aí, uma obra performática, não sobre "parar" no sentido literal, imagino o "parar" que acontece hoje, salas vazias, o esvaziamento do teatro e das obras, é mais que um parar, está e a denúncia de algo que está por vir, já que a contemporâneidade e a globalização coloca tudo em uma bandeja e serve a aqueles que possuem internet.
Gerald Thomas é um Artista Performático, que reserva em si a vontade da denúncia, e não se deixa levar pelo romantismo e imbecilidade e pela cegueira da atual sociedade em que vivemos. Por isso a cada atitude sua podemos perceber o Performer atuando, (apesar de ele nunca ter dito ou afirmado isso), segundo entedimento desta categoria o que vai definir um performer é sua "ação" e suas "atitudes" no tempo e espaço.
Além de tudo ele está exatamente "entre" o teatro de criação autoral e as artes plásticas, configurando assim minha certeza de que para ser um performer existe de fato uma "vida e obra que vai definir se este ou aquele artista é performer ou não".
"Não é todo diretor de teatro ou artista plástico que pode ser chamado de performer", é necessário antes de tudo, olhar e perceber na ação, na sua vida, quais características da performance está relacionada.
"A obra, escrita, falada e imagética, de Gerald Thomas é uma obra performática e totalmente política."
Em muitas de suas entrevistas ele demonstra sua opinião e sempre que se encontra com outros performáticos podemos perceber que além de uma atitude política, Gerald se coloca de frente para as questões da humanidade (sempre).
Em um de seus textos que servem de análise para meu trabalho ele critica a possibilidade do ITeatro! o texto em português abaixo é seu "Grito" de aviso (acima link na integra com texto em inglês).
Talvez esse mundo tão solitário, onde a arte está agora, onde o espectador começa a encontrar registros de obras de arte a categorizar essas novas obras digitais, podem levar a morte do teatro? O Brasileiro, gasta anualmente 56 centavos com teatro, dados do IBGE!
Acabo de realizar uma pesquisa que aponta números absurdos, de horas em que estudantes dedicam sua vida na internet. A grande maioria não foi ao teatro nenhuma vez esse ano!
Muitos grupos, performers e diretores de espetáculos de teatro querem transmitir em tempo real imagens para a rede, e cada dia essa ância tecnológica vem aumentando. Será que o mundo digital tecnológico pode mesmo destruir o teatro? Ou aparecerá novas possibilidades de mudanças para tal? ou o que ainda sobra dele?
Provocador, em outra entrevista Gerald Thomas aos 33 anos criticou no Roda Viva o teatro do Brasil, mas ninguém percebeu a possibilidade que tinhamos em mãos para enteder o que um artista autor e criador estava falando, por que o que me pareceu é que ele estava prevendo esta crise ao qual se encontra hoje o teatro não só no Brasil, mas no mundo.
Talvez por isso a performance tem mergulhado e se tornado algo tão espetacular!
O que mais vejo são artistas se denominarem: Atores e Performers, mas poucos de fato o são!
Por que no texto abaixo, um texto de indepêndencia? Tirem suas próprias conclusões, e me digam, o que é o ITeatro? ITeatro seria uma forma de manipulação?
O ITeatro se pareceria ou seria com uma Blog Novela? O que fazer, para que tudo não se transforme em digital, virtual?
Ir ao teatro ou assistir de casa? Delivere?Quais as consequências?
A indepêndencia seria o fato de não ter resposabilidade com essa esquizôfrenia? De não compartilhar esse ideal que vem sendo apontado ao longo da história? e ao mesmo tempo, conhecer, e experimentar tal processo?
Você já assistiu algum espetáculo na net? Então veja aqui!
--
Minha “INDEPENDÊNCIA OU MORTE” – TUDO A DECLARAR – “It’s a Long Good Bye”
New York – Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão.
“Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55, um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri?
I can’t go on. And I won’t go on.
Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “but I’ll go on”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar.
Minha vida nos palcos acabou. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo.
Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”usava a platéia como meu terapeuta”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece.
É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou.
Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas.
Daniel Barenboim, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses.
Não sou tão genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.
AMNÉSIA TEMPORÁRIA
Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios:
“E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios nas peças de Harold Pinter! Não são psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras…”
Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando.
“Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”.
Serão mesmo? Homenagens? Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens.
“Mais do que nunca eu acredito que somente através da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão e Isolda”, onde o amor somente é possível através da morte e vice-versa. No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida na cena final de “Rainha Mentira”), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”.
Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa.
“Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda. ”
Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer.
Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR.
Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou. Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer.
Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.
(nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!)
Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o Ivan Serpa e o Ziraldo me ensinaram muitíssimo cedo na vida.
E… Haroldo de Campos.
Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas… a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “Eletra ComCreta” se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas.
Mas ele só veio aparecer na minha vida na “Trilogia Kafka”, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar.
Nem mesmo a convivência com Helio Oiticica foi uma coisa tão forte e duradoura.
Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo.
Philip Glass dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito (http://www.vimeo.com/2988089). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no www.geraldthomas.com ou aqui em vídeos, no blog.
Meu pai me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo?
Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma culturazinha de merda, por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich. E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”.
Sim, encontrei Samuel Beckett, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no www.geraldthomas.com e se depare com o meu universo.
E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o Village Voice e o SoHo News pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, mas era tudo uma NOVA criação. Era o exercício do experimentalismo. Do risco. E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio.
Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..
Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele.
Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar.
Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “Quartett” de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo.
E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países.
Sim, o tempo semi-acabou.
Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou.
Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a Tower Records abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a Virgin, que destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds.
Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa.
São muitas fantasias que a depressão não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado.
Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu:
“O teatro é mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura.
No improviso também há tradição.”
Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar.
Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst.
Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir.
Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada.
I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes, I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.
Um breve adeus para vocês!
LOVE
Gerald Thomas, 7 September 2009
terça-feira, 8 de junho de 2010
Artistas Contemporâneos e Visionários, uma relação entre as obras de Gerald Thomas e Alex Grey .



Acaso? Destino? Ou alguns artistas são mesmo visionários?
Hoje Gerald Thomas colocou em seu blog o seguinte texto:
"Visionary? Unfortunately. Gulf of Mexico, beyond belief !!!!
I painted those OIL spitting (vomiting) dolphins in London in 2003.
Unfortunately, what we’re witnessing now has gone far beyond that. It’s catastrophic. Catastrophic and beyond proportions. But should we ALWAYS be amazed? Are these (so called) disasters not foreseeable? Really? Will we be taken by surprise when the NYSE and so on crash again? Or a new war begins somewhere? Are we doomed to being stupid?
Time for us to wake up, one day. Some day. Sunday. Sunday might be a good day."
--
Após ler o texto de Geral Thomas fiquei refletindo, pensar no mundo hoje, como os artistas estão vivendo? como suas obras interagem significativamente? então isso me fez pensar, sobre vários artistas inclusive na "Estamira" ela é a alma entre os dois ela é o controle remoto que demonstra o tamanho descaso do homem com o planeta terra, Estamira é a denuncia viva em carne aberta.
Mas pensando nos artistas contemporâneos, eu me lembrei do artista plástico Alex Grey que esteve no Brasil em 2007, Alex Grey é um dos grades anatômistas contemporâneos, que mora em NY e que a algumas décadas havia pintado a as torres gêmeas, prevendo a catástrofe de 2001 em sua pintura.
Apesar de ter citado dois artistas completamente diferentes, estou falando de dois artistas atuais, que estão vivendo e que já viram muitas mudanças acontecerem no mundo já que Alex Grey vive em nova york e Gerald Thomas, transita entre muitos países em que vive.
A capacidade de prever imagens futuras pode estar ligado ao fato de serem pessoas que estão preocupadas com o mundo e como vivemos neste mundo, e o que é importante para todos nós: A vida, a natureza.
Alex Grey pintou a natureza, destruída, e seus dois lados e suas possibilidades. Em sua tela, ele afirma, a visão das torres, com dois aviões apontados para ela, a representação do futuro trágico que veio a acontecer em 2001.
Gerald também pintou a natureza, e colocou a natureza gorfando o petróleo de cima de algo no mar, uma plataforma? (como é o que ele queria dizer quando o fez?) pode parecer estranho, mas para mim, os dois artistas cada um a seu tempo, e agora neste momento, estão tentando nos dizer algo, ao qual está presente, e possívelmente, isso é uma forma de denúncia antecipada da realidade.
O que mais me deixa assustada, é o fato de que ainda não percebemos nada sobre nós mesmos... e sobre o poder de prever aquilo que esta por vir!
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Na Folha de São Paulo deste domingo Gerald Thomas homenageia Vida e Obra de Kazuo Ohno


JUNE 4, 2010
Folha de S Paulo: Kazuo Ohno dead (Portuguese and English) Theater is not only larger than life…
Kazuo Ohno, the master of death: dead.
It’s an exaggeration of life (and death).
São Paulo, domingo, 06 de junho de 2010
OPINIÃO
Ao mexer com nossa alma, Kazuo Ohno sacaneou a morte
Artista japonês fazia mistura singular de arte oriunda da dor do pós-guerra somada a um tipo decandomblé
GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA
Se você me perguntar qual foi a minha experiência mais mística no teatro em todas essas décadas, afirmo sem hesitar: Kazuo Ohno, que morreu na última semana.
Foi aqui em Nova York, no La MaMa, que o recebemos pela primeira vez. Deve ter sido no final dos anos 70 ou dos 80. Alguns anos depois, eu o vi de novo, num beco de Ropongui, em Tóquio, fazendo o ritual da morte, o seu próprio butô (diferente do de Min Tanaka ou do de Sankai Juko).
Kazuo incorporava algo: Qual algo? Ah… Quem explica a arte? Quem explica a arte que faz você engolir a sua própria essência e sentir uma dor no peito por dias e dias? Já com 70 e poucos anos, um mulher/homem (em “La Argentina” -versão Dietrich que ele viu certa vez na Alemanha), Ohno provocou tumultos aqui na rua 4, os ingressos esgotaram.
O butô de Ohno era a dança que transcendia a morte, como em “Tristão e Isolda” de Wagner. Kazuo era o “Liebestod” [ária final da ópera, onde o amor transcende a morte e vice-versa]. Meio vivo-morto em cena, tínhamos a impressão de que vinha carregado de “entidades”.
E vinha mesmo. Quando eu o vi mais uma vez, no Sesc Anchieta, fui carregado pra fora do teatro, desmaiado.
Sim, desmaiei, porque lá, em cima de sua cabeça e ao redor do seu corpo contorcido em dor e molecagem, eu vi os corpos dos “meus” mortos: Julian Beck, meu pai, Artaud e tantos outros.
Cada um via várias entidades nesse japonês que fazia uma mistura singular entre uma arte oriunda da dor do pós-guerra e do teatro Nô somado a uma espécie de candomblé. Ohno era a versão japonesa do caboclo véio.
Nossa! Não posso dizer que era de arrepiar. Era mais que isso.
E ainda agora, no voo que me trouxe de Londres pra Nova York, eu vinha escrevendo sobre as entidades que compunham a edificação da arte do nosso tempo.
Pina Bausch, Merce Cunningham, Bob Wilson, Philip Glass e Kazuo Ohno.
Ohno morreu 11 meses depois de Pina. Começo a acreditar que é extraordinário como os deuses do teatro conduzem a mão e contramão do que deixara um legado. Um tremendo legado. Como Beckett em “Ato sem Palavras 1 e 2″, Kazuo era o “Ato sem Palavras número 3″.
Suas mãos ainda cavam fundo na alma algo que nunca acharei. E por quê? Porque o butô celebra a morte. Celebra o único contrato que temos em vida: a morte. E Kazuo Ohno foi uma mistura de Rembrandt e Andy Warhol a sacaneá-la mexendo com a nossa alma e a alma da própria história do teatro para sempre.
Adeus, querido. Sayonara.
GERALD THOMAS é diretor e autor teatral.
In English:
Kazuo Ohno dead.
IF you were to ask me what was the most mystical experience in the theater in all these past decades, I can say without shivering or even taking half a breath: Kazuo Ohno.
It was here in New York, at La MaMa, that we hosted him for the first time. When was that? Must have been at the end of the seventies, early eighties. A couple of years later I saw him perform again, at the very end of a twisty alleyway in Ropongui, Tokyo. Ohno made out of his art, the ritual of death. Yes, his Butoh was different from that of Min Tanaka’s and Sankai Juku’s.
Ohno incorporated something or, rather, ‘someone else’. What that was exactly, is difficult to tell. There’s the rub: Who will ever be able to really explain art? Who will ever be able to explain that which makes you (willingly or not), swallow the essence of what you are and feel it with all its pain beating as a heart at the core of your chest?
In his late ‘progressive age”: 70 or older, this female of a male performer who got his inspiration from something I recall was titled La Argentina ( a Dietrich version of a piece he had seen in post war Germany), Ohno caused an uproar here on East 4th Street. Within minutes, the Box Office had sold out.
Ohno’s Butoh is the dance which transcends death, just as in Tristan Und Isolde, it is love which transcends death. Kazuo Ohno was Liebestod himself, i.e. an incarnation of the Celtic Idea that ephemeral matters, matter but only on another level. Which level I dare not…
Liebestod is the last aria sung by Isolde, with her Tristan dead on her lap. Half dead, half alive on his stage, my impression is that his solo act was accompanied by a heavy load of ‘entities’.
Seriously. That’s how it was.
I saw him once again at SESC Anchieta, in São Paulo and I was literally carried out of the theater (for, I had fainted). Yes, I must have fainted after having cried a river and because I saw, hovering over his head and all around his contorted body, a mixture of pain and an attitude of a trickster of a boy: I saw the bodies and souls of MY dead loved ones such as Julian Beck, my own father and the likes of Artaud, as well as so many others….
Each one saw his or hers entities through the ritualistic art put on stage by this Japanese master who blended Noh and an the modern art derived from a painful end of a Second World War. Yet, there was something ‘candolmble’ (the Afro-Brazilian religion and ritual), about him. My God! I cannot describe the degree of how shockingly beautiful and strangely spooky this was. It was, in fact, far more than that. Ohno was the Japanese version of the old Black voodoo creature. And to think that, still now, on this flight which brought me from London to NY, I was jotting down some thoughts about those entities who have edified the art of our time:
Pina Bausch , Merce Cunningham, Bob Wilson, Philip Glass and Ohno. Strange thoughts went through my mind.
Ohno died exactly 11 months after Pina Bausch.
I am beginning to seriously believe how extraordinary it is how the Gods of the theater drive against the one way system and the currents of those who leave a legacy behind. And a tremendous legacy it is/was.
Just as in Beckett’s “Act without words, 1 and 2”. Kazuo was definitely Beckett’s unwritten “act number 3”.
His contorted hands still dig deep into my soul something I am sure I’ll never find. And why won’t I? Because Butoh celebrates the only contract we have with life: death. And Ohno, as a mixture of Rembrandt and Warhol teased the crap out of death, yet moved us to tears with his
strange and estranged soul and the soul of theater itself for ever.
Goodbye my loved one.
Who will evoke you?
Sayonara.
Gerald Thomas
June 2010
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