quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A arte visionária de Gerald Thomas


A arte visionária de Gerald Thomas



Submersos… nós estamos na sala sentados afundados em um sofá e lá fora chove. Em Nova York o céu está coberto por uma névoa densa que cobre a visão da janela e na televisão, casas submersas, árvores caídas, e a água sobe…
Submersos e catatônicos… a poucos dias atrás o furacão Florence veio trazendo um dilúvio de águas, agora vem o Furacão Michael, e lá fora chove, e na televisão os destroços, meu D´us não sobrou nada tudo foi destruído, e ele segue seu curso, e nós estamos aqui sentados submersos de notícias de dilúvios, de fake news, de Trump, Bolsonaro. Estamos submersos e tristes.
Na TV os jardins devastados, corpos frágeis tentando atravessar a chuva e o vento…Gerald sentado como uma criança.  Ele poderia ver “D`us” puxar um barco de expectativas. Só as crianças podem ver D`us.
Foi num grande rompante que eu comecei a perceber e identificar o processo criativo de Dilúvio como uma visão do futuro.
Dilúvio antes de tudo é a arte visionária do autor e diretor Gerald Thomas que aconteceu no Sesc Anchieta em novembro e dezembro de 2017, não é a toa que todo o trabalho era guiado por um tambor, “o tambor que guia a arca do que não é…” Gerald sempre brinca dizendo isso, mas no passado os barcos eram mesmo guiados por um homem que tocava tambor enquanto os outros homens remavam”.

Dilúvio é mais que uma peça de teatro, é o contexto futuro de um situação política, da crise humana e da guerra nas relações devido a discordâncias políticas.

Quando a peça inicia, uma mulher completamente triste, apática, suspensa no ar, uma lua melancólica onde o tempo se esvai. Uma terrível falta de esperanças, a sensação de um corpo cansado.
Este estado corporal é o corpo do Brasileiro, cansado e sem esperanças, onde nada o motiva, esta é a posição ao qual nos encontramos hoje.

Gerald tocava o tambor guiando essa arca é a latente batida de um coração tocada para guiar vidas, e parece contar uma fábula do presente porque o visionário vê como o presente forma o futuro.
Nos primeiros onze minutos de peça, Andre (ator) entra carregando um desenho, e nesta imagem um homem com uma flecha enfiada no peito com seus braços suspensos atravessa o palco. Seria esse desenho uma imagem de alguém que fora atacado? Poderia essa imagem conter a situação do atual candidato que foi atacado com uma faca?
Em seguida duas mulheres lutam, a luta entre os corpos refletem não só a ideia de jogo, mas a luta por ideais, as separações entre as pessoas. Somos quase fantoches - daqueles que detém o poder. mesmo que haja amor entre as pessoas os ideais separam as pessoas. Não somos mais capazes de ouvir o outro.
Uma carroça entra sendo puxada por um humano, esse, um trabalhador que puxa a carroça, e acabou de perder todos os seus direitos, vem sendo escravo há séculos. O Brasil é um país escravagista, e os direitos do trabalhador deixam de ser algo humanamente importante.
Sentado na carroça, o homem Branco que está no poder, quer ser entretido pela guerra dos corpos ou por puro desejo de julgar ou subjugar aquele que lhe serve.
Seremos sempre a plebe que sobe a montanha? No espetáculo existe um refrão que diz “ ...digamos de amaldiçoados, como a plebe subindo a montanha, ah, mas amados mesmo assim, interjeições inimagináveis, antigos filósofos gregos ejaculados junto com seus lugares de origem, sugerindo, quando possível, conquista de reconhecimento  ELE NÃO ESTÁ AQUI, bem audível isso, bem audível mesmo assim não totalmente satisfatório, por causa das intermináveis dúvidas, como por exemplo, QUAL DIÓGENES?”
A plebe de Gerald, assim como em “Fim de Jogo”, ou na relação entre Pozzo e Lucky em “Esperando Godot”, os personagens de Samuel Beckett são seres destruídos pela falta de esperança.
É neste jardim de destroços, de guarda chuvas quebrados, onde as esperanças não são mais apenas esperanças, tentamos crer em alguma mudança possível.
Mas no país onde já tivemos uma ditadura militar, pessoas foram assassinadas, desaparecidas, enforcadas, torturadas, eletrocutadas, jogadas de helicópteros, de aviões, etc.
No país onde corpos de pretos, índios, mulheres, gays, trans, maconheiros, transeuntes, pobres, analfabetos, desdentados, trabalhadores rurais e todos os sujeitos que não estejam no padrão reconhecido como merecedor de dignidade, também, paradoxalmente existem algumas exceções: alguns poucos  brancos intelectuais também entraram pelo cano. Ou na forca.
Esses corpos dependurados como em “O cão que insultava mulheres, Kepler the Dog” (2008), ou em “Bait Man” (2008) onde a abertura são leitmotifs parecidos: humanos, assim como iscas: dependurados.
Os direitos humanos estão sempre presentes na obra deste artista. Nos anos 70, quando ele trabalhava na Anistia Internacional, em Londres, Gerald lutou contra os corpos dependurados como isca em anzóis. Pois! Esse é nosso passado recente, ainda presente, e com muito temor poderá ser o nosso futuro.
A poucos dias uma matéria reportava que muitos Brasileiros negavam o fato de que houve o holocausto, e também negam  que houve ditadura e nas urnas pedem um novo governante com tendências neo fascistas, há um desejo de submissão, e o desejo de destruição, não basta relembrar, é necessário reviver?
No espetáculo Dilúvio (2017) dois corpos representam “torres” que caem uma seguida da outra e se transformam em humanos deformados, sangrando e ao mesmo tempo clamando por seus paus e buracos, quase na boca de cena a área armamentista os cavalos de tróia em seus tanques de guerra, todas essas imagens misturadas a uma terrível falta de esperança e crença no futuro.
Agora o homem do foguetinho não é mais tão importante, era uma espécie de Fake News para as fotos e os futuros apertos de mãos com assassinos Sauditas, ou parcerias suspeitas com a Rússia, e possíveis envenenamos e cartas que se auto-destróem porque são todos espiões Russos, e podem roubar tudo a qualquer momento.
O FaceBook é o mundo Fake do Pequeno garoto que deseja o reconhecimento do seu Pai. Pequeno Garoto FAKE.
Na mesa de tortura Ustra, encontra se corpos vermes, corpos engavetados, corpos mortos, mas porque temos que relembrar a tortura?
Três anos antes de Dilúvio, no congresso Nacional  estava o Candidato a futuro presidente do Brasil que tem como livro de cabeceira O USTRA - cismo, ele oferece seu voto de Impeachment contra a presidente que havia sido torturada pelo Ustra como presente ao torturador e deixa claro em seus depoimentos que é a favor da Tortura e que não houve Golpe Militar no Brasil.

Como artista Gerald Thomas recebe as situações do porvir, ele já foi chamado ao longa da vida de Visionário Apocalíptico e ao longo da sua vida, o “humano” é seu tema no cotidiano sua vida simples e suas preocupações com o mundo refletem o artista inteiro e radical uma vida devota a arte.
Em Dilúvio a dor do corpo, as mazelas humanas cada símbolo contido, tudo se torna muito importante neste momento em que estamos vivendo uma angústia e um medo terrível.
O sangue inocente jorrando e todos os assassinatos, de Mariele, de Moa, do jornalista Jamal Khashoggi, da travesti atacada por cinco homens enquanto a matavam gritavam o nome do… vocês sabem quem!? vocês sabem...  
Na última cena de Dilúvio a atriz entrando com um sonoro samba ecoando sobre nossas cabeças, pedaços de corpo espalhados no chão, e ela pega pedaços de corpos e uma cabeça degolada.
Uma das promessas desde próximo governo é acabar com o samba, e com as Ongs e com tudo que seja arte. Porque artistas para esses homens artistas são vagabundos. Segundo eles mamamos nas tetas do Governo. Agora uma vaca sem leite, o grande leitão de ouro mandou mudar a retórica, e arte para que mesmo? me digam para que?
Na internet fotos dos eleitores dele vocês sabem quem... vestidos com a camiseta do ex presidente Lula “degolado”. Eu não sou petista desde o história da cueca de dinheiro no aeroporto, mas nada disso faz sentido. A imagem do ser humano desolado e em silêncio, estaremos contando as luas todos os dias... todos nós contando os dias para ver alguma mudança possível.

A Luta selvagem nas redes sociais, a tortura mental, e a afronta ao diferente não dá pra esquecer a experiência do público, o riso nervoso e o choro da plateia. Muitas pessoas saiam do teatro chorando todos os dias.

O artista apresenta o invisível aos olhos, ou o mundo dos espíritos. Assim como Bispo do Rosário, ou Moacir Soares Farias, assim como grandes mestres visionários a frase de Gerald Thomas explica bem o que estamos vivendo: “Esperança era sua última esperança,mas mesmo assim baixo demais para o ouvido dos mortais. E outras vezes imaginar um outro extremo tão duro de imaginar

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ainda não é o fim?


Ainda não é o fim?

Na sexta feira passada, saí para uma caminhada longa pela cidade, até chegar em Times Square, e parei no meio daquela enorme praça e fiquei olhando aquelas pessoas andando perdidas, achadas, se achando em ondas, se dando as mãos pra nada ou pra não se perderem ainda mais e,  milhares delas, de “todos os lugares do mundo”, sob as luzes Leds - com imagens e propagandas vendendo - , e pensei na luta de um homem para que esse país seja o pais de todos.

Voltei para casa com passos certos sobre o que é essa noção de “LIBERDADE".  A vida é uma "eterna novidade" como diria Alberto Caieiras no seu poema “O Cancioneiro”. Caieira era um dos codinomes de Fernando Pessoa que usava Caieiras para ver a vida sob um ponto de vista mais doce: “Amar é a eterna inocência".  Será mesmo uma eterna novidade? Será mesmo uma eterna inocência o amar? Ou uma sequência de desencantos? Caieiras descreve a vida por um ponto de vista romântico e vê na natureza os maiores encantamentos que um homem pode ter. A vida no passado, tão dura e cheia de guerras, grandes batalhas, teria sido ela apenas uma passagem repetitiva e exaustiva onde essas guerras estavam nos colocando sempre por um fio? É tudo tão rápido, transbordando de notícias como num flash que sequer absorvemos o crash.


CONFUSAO e DUVIDAS


Das "bad news" e das "fake news" ficamos com a enorme dúvida: como sobreviver no mundo das notícias repentinas e como não afundar de medo diante de tudo que serve apenas para causar confusão e dúvidas e para amedrontar e desapontar uma nação? Todos os dias vem uma nova notícia para renovar as novidades de um mundo onde tudo é a venda de uma “nova”.  Quem compra essa “novidade"? O tempo dribla a realidade. Entende-se que as piores novidades são catastróficas e que por elas você não esperava.

Essa angústia toda  te leva a alguém especial, pessoas especiais que nos fazem ficar de boca aberta, que nos fazem repensar a nossa existências.  Assim foi com Aretha Franklin …. e vocês sabem né!!! Aretha Franklin ela é… ela é… é isso… vocês sabem muito bem o que isso significa…

Sua despedida foi uma grande festa.
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De alguma forma Deus escolheu essas últimas semanas para levar gente muito importante. Não foram dias fáceis, alguns dias depois o Gerald estava recebendo a notícia que o diretor de redação da Folha de S.Paulo Otávio Frias Filho havia falecido, sem acreditar na notícia e arrasado, seguido de vários dias tristes e introspectivo, em silêncio e sentindo o vazio, aparece na TV parando um tratamento médico contra um câncer John McCain e já no dia seguinte à notícia de seu falecimento, ele chocado nos dois dias seguidos caiu em uma tristeza enorme e por todos esses dias esse LUTO se estende, e seus olhos sempre baixos. Assim seguiu se a semana toda, e seu luto está apenas começando.
Esse homem era John McCain, literalmente um homem forjado a ferro e fogo, um conservador considerado " rebelde" dentro de seu próprio partido, foi torturado, foi prisioneiro de guerra no Vietnam, conta com uma história absurda de força e coragem elutou contra tortura em todos os fóruns internacionais que lidavam com os direitos humanos. Foi Presidente do Comitê de Assuntos Indígenas e isso não é pouco. São pouco os homens brancos capazes de entender a verdade da História de um povo que fora dizimado, devolver terras aos seus verdadeiros donos é uma luta incansável. Eu não fazia ideia de quem era John McCain, e ao pesquisar sua vida fui me apaixonando por esse homem, que agora é parte da história de um povo, de uma nação, e que a cada passo foi um trabalhador fiel, jamais da burocracia ou de seu partido mas sim da sua consciência, da sua vontade de ver o mundo livre, de ver os povos gozando de liberdade.
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Na quarta feira, passamos a manhã assistindo seu emocionante funeral, e as homenagens de todos os lugares dos EUA e acompanhando as dedicatórias daqueles que viviam mais próximos à família.
Ao longo do luto e a emoção de entender tudo que esse homem deixou. Eu não preciso ser americana para entender o valor deste homem  para a humanidade.

Na Times Square no meio daquele enorme cruzamento pessoas de “todos os lugares do mundo”, e os Leds Lights com imagens de propagandas vendendo, sempre vendendo. A mistura de tanta gente diferente, de várias línguas vários sons  misturados e transformando tudo em um canto sonoro, em meio ao barulho dos carros.
Eu pensei na luta de um homem para que esse país seja de todos, voltei para casa com passos mais rápidos, o sol já estava baixo, e meu pensamento estava na liberdade, de toda pessoa estrangeira de todo cidadão.  LIBERDADE o significado de estar aqui e de entender que um país não se faz sem luta, sem que alguém esteja no combate na busca incessante para o bem de toda nação, quem somos nós diante de pessoas tão importantes?
Ao chegar em casa, meu telefone tocou, estava mudo, então uma mensagem dizia não ter boas notícias, e uma novidade veio era a morte de uma Prima, uma pessoa especial, considerada curandeira, que conhecia à finco as ervas do cerrado, que cultiva ervas para curar pessoas, os dois estavam partindo por causa de um câncer terrível. A vida e sua brevidade, esse tempo linha, esse tempo vento...
Meu luto agora é enorme, eu fiquei chocada, a brevidade da vida, esse sangue que corre nas veias, essa dor infinita... e agora estamos os dois de luto, esse luto sanguíneo e essa luta para sobreviver a morte de pessoas tão incomuns e especiais.
Hoje é sexta feira, a TV mostra os últimos momentos de despedida do Senador John McCain, eu não tenho notícias da minha família, mas aqui dentro do meu coração, estou me despedindo de parte da minha história que só ela sabia contar, estou me despedindo da mulher que falava da minha mãe e que contava história de nossa família. Hoje já não sabemos mais o que dizer, estamos apenas escutando o som da dor.  Gerald escuta o funeral, e ainda parece não acreditar, seus olhos continuam marejados, e os meus também, e choramos e ele balança a cabeça de um lado para o olho e olha incrédulo para a TV. Eu me sento ao fundo e escrevo como um grito de dor que sai da minha boca.
Porque a morte muda a história, porque a morte nos faz repensar a existência?
A morte é essa dor tremenda de perder não apenas um homem ou uma mulher, os filhos ou pais e mães, seu cachorro, ou seu companheiro, mas tudo que nos é importante e insubstituível.
Não somos formigas e mesmo as formigas lutam para manter a vida de suas rainhas.
Não existe comparação a perda de pessoas tão importantes para a humanidade, ou uma pessoa do mesmo sangue, o que muda é a falta, o não ter mais como, ou o que essas pessoas significam para o mundo, e tudo que elas construíram.
A esperança de que a partir de agora possamos entender que não apenas algumas pessoas são únicas, especiais, como mudam o destino da humanidade, e desperta em todos nós o sentido da vida, o sentido de crer na mudança, na ética, e no respeito aos povos.

De luto, na luta, todos os dias... tentando e errando, mas não estamos errando melhor como diria Beckett ou o Gerald, quando após uma briga ou um erro meu, ou um erro nosso superamos a crise e percebemos no erro uma possibilidade de melhorar, para errar de novo, errar melhor.  

Mas não estamos errando melhor quando se trata de Arte no Brasil, ou da memória do povo. Com a Morte anunciada da nossa memória. O museu Nacional do Rio de Janeiro pegou fogo e tudo foi destruído, estamos de luto, estamos sufocados com todas as cinzas das memórias Brasileiras, do Povo Português, da Nação Indígena, e de todos artefatos, tudo… que se foi.: "Enquanto isso eu queimo, vocês queimam, queimam e entra em vossos pulmões para virar, digamos assim…TUDO vira uma enorme fumaça de rancor cancerígeno." Eu queimo Basco. (Eu queimo basco. Gerald Thomas)
Errar melhor. Para que essa sensação de não ter tido a oportunidade de mais um encontro, essa sensação de fio na navalha, de último minuto e depois nunca mais.
Sentir que a vida pode ser melhor. Valorizar o que está aqui e que a morte nos sirva de lição para mudar, transformar essa nossa dura realidade. Estamos de LUTO. Mas nunca é o fim… até que um dia será o fim, mas aí você não estará lendo isso.
Incêndio no Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista





terça-feira, 31 de julho de 2018

Vagina - O corpo da Mulher -

Aquarela sobre papel cartão. Arte: Adriane Gomes

Eu Queimo Basco. By Gerald Thomas

https://geraldthomasblog.wordpress.com/2013/08/09/eu-queimo-basco-peca-copyrighted/
July 2013
Antes d’eu me mandar pra TUNISIA (Epa!) ainda vou dar uma passadinha em Bilbao! E dar uma olhadinha nos neo-concretos do museu de arte neo-moderna lá no Guggenheim do Frank Gehry! Quem sabe eu não encontre, tomando um café, uma REPLICA de um…..Haroldo de Campos falando em BASCO:
(A dança da PHOENIX levando um banho de leite, grosso – efeito de luz e liquido)
“Oi Haroldo, minha janela Basco-lante do banheiro de empregada precisa de reparos: quebrou. O Sr. Conhece alguém? São as “dependências da empregada” entende? Ela fica….mal ! Ela fica MAL!”
É evidente que não se espera de um Haroldo um sorriso nem dois. Os concretos são assim: esculpidos em concreto! Não esboçam um sorriso. Piores que um Paulo Coelho! Haja humor. TUNIS e TANGIER HERE I COME!
Sim, isso pode ser interpretado como uma tentativa de ensaio pré-orgasimica. Na verdade é ! Senão já estaria sentada numa classe económica da Paquistan Airlines da Royal Air Marroc e….mas não estou PORQUE…
(Phoenix já de pé ! – asas abertas, leite transbordando..)
….eu ainda tenho que mandar fazer um exame das MINHAS fezes e urina pra ver eu não estou com essa gripe aviaria. Esse meu xixi não anda me cheirando nada bem!
Outro dia foram me chupar e desmaiaram. Romântica que sou, achei que foi de amor. “Ah, que lindo, desmaiou com o elixir do amor!” Nada! Desmaiou com a cândida ou o pessimismo e a correnteza e o TRIconoma lá de dentro mesmo e no chão ficou. E caiu em cima do meu sapato de salto alto.
Tive que sair na rua mancando.
Ouvi a policia chegando
Vi a ambulância chegando.
Acho que ele morreu com o pulmão perfurado pelo meu super salto. Era o único sapato que eu tinha, digo de salto daquele tamanho- eu chamava ele de “foz do Iguaçu”. Tristeza. Não ha mais chances pró mundo. É deus contra deus, é religião contra religião: com tanto GOOGLE pra lá e pra cá, com tanto I-Phone e I-pad e I-fuck e I-Me e I-MEUDEUS o que sobrou mesmo foi aquela flor no fundo do jardim pedindo um pouco d’água.
“mas não tem flor. A não ser que seja um golinho de Evian, quer?”
Qual flor no mundo vai recusar uma Evian?
Também com tanto suplemento!!! A culpa é minha. Tudo bem, a culpa é minha, é um tal de te dar antioxidante, vitamina E, C, SUPER C, B, B12, Pancreatina, lactase, Zinco, zinco chelado, Boro Chelado, amilase, Manganês, Magnésio, Selênio, Cálcio, Ferro, própolis, DMEA, Rivotril, Topamax….GABA, Nortripolina, Wellbutrin, ZoloFT, Enzima GOLD, Luciana Gimenes, Vitamina D3, Metanfetamina, extrato de gingseng, Açaí em pó orgânico do Amazonas, Gooji, Aloé Vera (uma babosa metida a besta), amilase, extrato de rosas da Turquia quando morrem. O que? “Extrato de rosas da Turquia quando morrem” Cada coisa.
Entendi tudo! Eu me catabolizo! Uma emoção que se “puxa” pra dentro, uma introversão. Não, nada disso. É que um personagem está tentando desvendar o cheiro do outro, já que todos ali estão super medicados e vindos de um dia duro de trabalho e, sem saber se em Bilbao, Tunis ou Tangier ou no centro de São Paulo….
Ora….ah…me poupem.
A gente toma qualquer, QUALQUER negócio qualquer tipo de solução, mineral ou não mineral, e ficamos todos num silêncio (pausa) sepulcral tentando entender o que o outro está tomando, já que ninguém mais entende nada: hoje é tudo na China, em Dubai, em Abu Dhabi e em Maracanãs que não ficam prontos e a COPA –
Haroldo….a Copa….e as Olimpíadas Haroldo quando não sabem nem da Tarsila e de Ícaro e de quem tenta levantar um vôo um um jorro de PORRA ! Não leram GALAXIAS e ….nada. Não sabem nada sobre SCHULDE e SCHULD – GUILT, CULPA, DIVIDA, dinheiro, entende? Você me entende! Mas e eles que quebram meus ossos e se esbarram em mim e gozam em suas calças e descem em paradas erradas por causa das paradas.
Oh Brasil tão retumbante e tão redundante!
(Se livra das asas e toma uma chuveirada que molha um pouco do publico)
Eu sei que não é fácil viver afastado do mundo. Sei como é difícil “tentar” estar envolvido e, no entanto, não estar. Imagino como deva ser enfurecedor.
Digo, frustrantemente enfurecedor. O conflito em querer ter o poder e não tê-lo é difícil. Olhar para as grandes nações do mundo e sempre ter que imitá-las, importar seus produtos, “fazer tudo igual, mesmo com anos ou décadas de atraso” acaba virando um recalque. Sim, um furor de recalque.
Uma nação conquista sua história com INDEPENDÊNCIA, sangue, e formula sua CONSTITUIÇÃO através de uma, duas, três ou mais Revoluções. São sanguinárias essas guerras internas, os conflitos internos, e, principalmente, a luta que se trava entre grupos de interesses e a moral da grande maioria silenciosa e os os direitos civis, e a liberdade INDIVIDUAL vai ganhando um preço! Um preço alto.
E vem destilado, babado, cagado, amerdalhado, assim como os (des)editores bem entendem, já que ninguém entende porra nenhuma: é sentindo o cheiro das esquinas e comprando no coreano que fica aberto 24 horas e cortando legume na calçada de NY que se conhece uma cidade, e não pelos seriados de TV.
Resumido: Nós aqui no Brasil discutimos e nos arrastamos em vão, ah, vá pra puta que pariu!
Haroldo, agora que você já esta ai no….seu 74 livro, me diz: por que, ODEIAMOS O VENCEDOR, mas adoramos dar um tapinha nas costas daquele que PERDE?
Eu sou uma dessas. Perco todos os dias.
Até meu salto alto eu perdi.
Perfurou o pulmão do outro ou da outra , sei lá. Nem pra matar eu sirvo. Só consigo por acidente.
O Brasil é um porco voador e fui engolido por esse porco.
O negocio então é esperar. Esperar o matadouro matar essa merda e vender a minha vidinha pra um açougue qualquer onde alguém, algum poeta sujo e boêmio, como Artaud ou Rimbaud – veganos, obvio, que nem passam perto de açougues e não moram no Brasil, me comprem.
OU ! AHA! Que esse porco aos pedaços sejam EXPORTADO PRA LUGARES ONDE A CULTURA TENHA INFLUENCIA NA CIVILIZAÇAO.
OLHA QUE IDEIA MAGNIFICA!
QUE UTOPIA !!!
QUE LOUCURA!!!!!
Vou sentir falta da novela das 8, DAS 9, DAS 10, DAS 11, DAS 12, DAS 13, DAS 14, DAS 15… 16… Mas não se pode ter a Dinamarca dentro da Inglaterra e dentro da Suíça aqui dentro da ACLIMACAO, Caralho!
Nem eu, nem ele e nem o Haroldo!
EU SOU o “Recalque brasileiro”, e com orgulho!
Ociosos, retóricos, opinativos. Merecemos um divã com pregos ou espinhos! Ah, e antes de me virem com respostas levantadas pelo Google (inventado aqui em Sorocaba!), lembrem-se que TUDO surgiu aqui, a não ser Confúcio ou Sófocles.
Enquanto isso eu queimo, vocês queima, queimam e entra em vossos pulmões para virar, digamos assim…TUDO vira uma enorme fumaça de rancor cancerígeno.
(Phoenix já de pé ! – asas abertas, leite transbordando..)
(vai indo embora…..fundo do palco: para)
Ah, Haroldo, minha janela Basco-lante do banheiro de empregada ainda precisa de reparos: quebrou. Nada mudou. Nada muda nunca. O Sr. Conhece alguém? Não, não conhece. São as “dependências da empregada” entende? Ela fica….mal DEPENDENTE PACAS. NOSSA! Uma dependência de drogas e desse Porção….(Lágrimas)
Mas eu adoro tanto…..
(caminha pró fundo)
Adoro tanto….

FIM
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terça-feira, 12 de junho de 2018

O amor

é portanto um fato único na vida daquele que sente.

Que loucura você pensar tamanha a dor que envolve uma relação. De fato o ser humano não nasce para ficar sozinho e muito menos encolhido no escuto de um quarto, onde suas sombras se misturam a escuridão.

 Mas o humano como um verme, sai de sua cama, quase rastejando, entra no toallete e lá mesmo permanece por horas, sentado na privada, olhando para o vazio, se limpa e vai para o chuveiro e lá também encrôa-se em um canto e sente a água quente adormecer parte de seu quadril que dói e os seus joelhos frios.

Na primeira semana achava que morreria, não conseguia ver a luz do sol, e quando abria a janela as outras janelas parecia olhos vorazes, e um frio entrava, a luz do quarto acesa, e das outras dependências também, e por dias não sentia o gosto de nada. nada parecia furtivo ou emocionante. ainda sinto tudo isso...

Lembro e vejo tantas cenas tantos vídeos, e tantas historias e tantas brigas, e tanto suspiro, medo refugio sem fim explosão.
Caí, depois de dias suspensos, era mesmo uma coisa chamada ânciedade, medo, SAUDADE, é aquilo que a gente não tem perto da gente. aquilo que faz o corpo tremer ao ver uma foto ou um vídeo.

O Corpo refugio dos sentimentos, porque que o amor é tão acido, doce como uma romã vermelha, amargo como fel, duro como as pirâmides do Egito, e leve como o vento. Em atritos, sonhos e velhos desejos, a vida se encarrega de se transformar dia pós dia.

 E de alguma forma eu sei porque merecemos tudo isso, porque acima de tudo o cuidado e o amor é sempre mais forte que qualquer perturbação mental que surge. quem sabe dos destinos prováveis, dos sonhos mais simples, aqueles com água colorida e fumaça de pão saindo do forno. Amor tem gosto de riso solto, lagrimas nos olhos, sensibilidade, cuidado, carinho, mão com mão, dormir cuidando do outro. e assim nada poderá substituir aquilo que representa amor.

As vezes a comunicação fica estranha, o que se entende não é o que é, e assim as coisas parecem maiores do que realmente são, a gente anda tão acostumado a guerrear, a dar importância, ou perder tempo com tantas coisas que podemos muito bem não seguir a diante.

Existe um silencio grande dentro de mim, talvez eu diga sobre coisas que parem tão improváveis, esperar dói adoece, causa muitas angustias e medos, esperar, não é para qualquer pessoa, e aprender que agora, isso tudo que você sempre sonhou faz parte dos seus sonhos.

Cada experiencia tem sido intensa, aprendi muito ao seu lado, vamos seguindo esta estrada, essa luta, que a mudança e a transformação seja nosso objetivo. Como as sementes da fruta mais simbólica para a minha vida." meu coração"

Quando dei por mim, estava assim... LOVE










terça-feira, 6 de março de 2018

O "Dilúvio" De Gerald Thomas

DILÚVIO 

AUTORIA  DIREÇÃO E CENÁRIO   GERALD THOMAS



SESC CONSOLAÇÃO 2017


"Um menino e seu barco ancoram no Brasil para construir sua nova nau, repleta de artistas, saltimbancos, e entre bichos e carroças, suas rodas e manivelas, entre cordas e pipocas, nasce o pirata e o mostro que ataca sua nau."
Eram dias de muito vento e chuva, nas ruas pessoas com seus guarda chuvas, e suas capas tentam se proteger de um vento tão forte e intenso, mas seus corpos frágeis e desvestidos sofrem ao enfrentar tamanha tempestade.
Todos se refugiam dentro de um barco guiado por um tocador de tambor cheio de poderes incríveis, homens fortes soltam as velas, enquanto um pirata cheio de sentimentos que ainda não sabemos quais, surge nesta tempestade para roubar o barco, hora pirata, hora mostro das águas revoltosas, torna se quase dono dos corpos pendurados, corpos que formam o calabouço "cala sua boca" desse barco, onde escravos o carregam e o servem,  dançam e são também seu entretenimento.
Esse menino olha para essa história e pensa que ela não é mais sua e então entra dentro de um barco japonês para sair apenas no último dia."

O tocador de tambor dentro da nau.

O tamanho de uma história não é formada por quantos dias ela se torna historia, mas sim pelos acontecimentos. E nesses dias de dilúvio, foram experiências que olhando de fora ate parece uma nova peça de teatro,  dentro da peça "Diluvio" mas dilúvio é linda e emocionante se torna uma nova historia sobre a VIDA DAS PESSOAS ENVOLVIDAS neste Dilúvio dentro da nau do Sesc Consolação.
Quando um artista trabalha em tempo reduzido, e com a missão de entregar em tempo recorde uma obra do tamanho de dilúvio não se sabe o que vem pela frente, a obra de Gerald é conhecida por sua estética, seus jogos psicológicos, por sua escrita em tempo real, ao longo de sua montagem, ele nunca trás pronto, ele cria, e cria a partir do que vê, ou do que ele tem a oferecer de sí mesmo, e isso significa trabalho em crise, corpos em crise, menstruação, ovulação e nascimento em geral envolve sangue... isso mesmo aquilo que rege todas as mulheres todos os meses de suas vidas. "action writing"

aquarela em canson Adriane Gomes 2010
As águas permeiam as emoções, os sentimentos, e os sonhos, foi assim que a minha vida se encontrou com a vida de Gerald e nos reencontramos nesse Dilúvio. Era 2010 e eu estava enlouquecida com o meu mestrado quando por acaso um Diretor famoso curtiu um post colocado no facebook, era um post sobre a Rainha de copas e suas 7 primas invejosas meu processo de Mestrado sobre Arte e Tecnologia, eu estava fazendo os primeiros desenhos e era tudo em aquarela, e ele gostava do que eu pintava. E começamos a conversar e a escrever, e a falar pelo skype, os assuntos? Arte. Arte. e Arte... e eu fui conhecer mais além da única peça que eu havia assistido: Um circo de Rins e Fígados com o Nanini ou sobre as matérias da Bunda no Teatro Municipal, quando fez Tristão e Isolda, ou sobre a destruição das Torres Gêmeas no Fantástico, e foi assim que eu entrei de cabeça nos desenhos, nos vídeos, nas entrevistas e até que um dia eu comecei a sonhar e a gostar da voz e de tudo que eu aprendia nos emails e nas conversas.

 Foi então que tive meu primeiro sonho com esse homem que me inspirava a criar. O sonho: "Estou em um quarto de hotel, e uma das paredes escorre água, uma banheira transborda escorre água, a água vaza e inunda todo o quarto, Gerald aparece no sonho e me diz que a peça acabou e que é hora de partir." acordei com o coração acelerado e escrevi um e-mail contando aquele sonho, isso era 2010 e o tempo passou, os anos se foram e tudo mudou. Muitas coisas aconteceram com todos nós desde aqueles anos. Mas houve também o nosso encontro e houve o momento em que eu me desnudei para lamber o seu cú, e beijar todo seu corpo e deixar que todo meu cheiro tomasse aquele quarto de hotel, não estávamos sozinhos, e eu também não se sentia totalmente a vontade, mas precisávamos consumar algo que jamais nos esqueceríamos, mesmo que na minha cabeça, era preciso ter uma experiencia só nós dois, sem nada até mesmo sem Baco.

Agora estamos sem 2017  havíamos nos afastado de novo, mas mais uma vez eu sonhei, e nos encontrávamos e nos abraçávamos e eu chorava dizendo que sentia saudades. Resolvi escrever, e ele me convidou para um café, e eu fui as 22 horas, hora que meu trabalho acabava, e ao abrir a porta, eu de novo chorei e nos abraçamos. E minutos depois estamos nús  na cama, eu sangrava e eu era arredia como uma égua selvagem, "uma mulher selvagem, é isso que eu sou" um peixe fora da água, meu corpo não era tocado daquele jeito a muito tempo, e me foder, me comer, e me sentir como realmente eu sou, com toda minha força e fragilidade não era algo fácil, mas eu ainda o amava e ele começou a me ver, me sentir... e eu me sentia amada, quantas mulheres podem se sentir amadas, e trepar e gozar na sua boca como não houvesse amanha, e trepar todos os dias até que seu corpo jorre todas as dores e tristezas guardadas. Foram momentos únicos que eu nunca havia sentido até aquele dia. Eu merecia aquele homem me comendo e me amando loucamente e sentindo minha falta e gostando do meu cheiro, e lambendo cada pedaço de mim. E choramos juntos e rimos juntos e de alguma forma fui acalmando e me abrindo para o Dilúvio de emoções.

Antes de falar da obra Dilúvio é necessário falar do mundo hoje, da guerra de poderes, dos novos ditadores, com seus misseis, do presidente da maior potência do mundo e do circo de horrores que se tem formado desde então, é necessessário falar sobre a guerra da Síria, ou da guerra de informações ou das Fake News, e dos telefonemas mentirosos, ou das pessoas ardilosas que não só roubam como matam os seus próprios. É nesse cenário que nasce dilúvio, e não de auto biografias como muitos descrevem eu seus textos. mas sim de um realidade cruel e ordinária, onde Gerald busca uma saída ou faz poesias com os corpos das suas atrizes, poesias com corpos de mulheres. Sim mulheres... as mulheres. O processo de trabalho foi muito rápido e logo fui convidada para ver um ensaio, a minha primeira percepção sobre a montagem:

Foi no primeiro ensaio de Dilúvio, e ainda o começo de tudo, e tudo me emocionou demais, eu me sentia como aquelas crianças que corriam gritando "pai" era a Síria gritando dentro de Gerald, eu me sentia aqueles corpos, eu me sentia a obra de arte que sangra, obra de arte viva, mas ainda não existia a visão completa desse barco, o pirata começava a aparecer mas ainda estava disfarçado, e ele ou ela ainda não haviam se transformado, apesar de que as pistas surgiam, mas para haver algo com muito "poder" deve se dar "poder" a ele (o processo), e assim tudo vai se criando.

Tenho uma teoria sobre o trabalho do diretor criador e a relação de Caráter, estresse, corpo em risco, e a fragilidade da alma. Tudo isso nos mostra quem realmente somos, e como observadores vamos percebendo a mutação dos artistas, e como as pessoas reagem a todas as mudanças.
 Foi nesta toada que fui vendo a naus de Gerald finalmente entrar em alto mar, entre as emoções de uma obra política, entre ficção e realidade, entre passado e futuro, entre as pessoas que junto com ele contam suas historias, fui reconhecendo os segredos e os amores, os olhares entre as atrizes, e os pactos se formando e como é brilhante tudo isso.

O homem do tambor é o ser magico, é o Guia que leva todos ao transe, e o teatro é esse transe onde todos transam e se molhar para encontrar o êxtase, a peça tem esse poder de mutação onde as lagrimas brotam sem que a gente pense. Lidar com uma nau é enfrentar a água que permeia as emoções: lá estava eu assistindo esse processo, e eu me lembro de coisas que eu sentia, eu sentia medo, eu sentia aquele vento bater em mim, sentia vontade de fugir, era aquela criança na guerra, a minha guerra interna, eu não sabia para onde, "pai" eu o sentia dentro de mim, eu queria tanto o meu pai... era tudo a minha volta, era aquele salto no vazio, eu via o mar, eu sempre via as atrizes sendo jogadas no mar. Em alto mar.

Era uma vez um menino, era uma vez um vento, tão forte, que levava todos os guarda chuvas... era uma vez um menino e seu barquinho... era uma vez uma historia onde um presidente brinca com seus bonecos de verdade, ele também é um monstro, e somos todos tão frágeis, mas ele tem foguetinhos de verdade e suas historias de mentira, parecem verdade.

Naqueles dias de Dilúvio telefonemas FAKES, segredos de pipocas jogadas com ódio, eu ví cenas do alto de onde via se egos e cenas tão lindas, o que diria Beckett se estivesse lá no alto olhando comigo o que eu via!? há era sobre os gênios, poucos encontram verdadeiros gênios na vida e poucos são chamados de gênio em vida. Mas olha esse cenário, escuta essa trilha e veja essa luz, eu me emocionava, e lágrimas brotavam de dentro de mim, como esse Dilúvio é lindo!

Pássaros negros, voam sob nossas cabeças, telefones tocam, mulheres olham, andam e falam, somos seduzidos o tempo todo.
Se você ao ver Dilúvio  se sentir sozinho, entre as fileiras do teatro, entenda a nossa dor, e muitos segredos que só nos contam quando olhamos uma obra de arte, nas gavetas se guardam corpos, e nos corpos se escrevem historias e cicatrizes.

Dilúvio é esse barco navegando em alto mar onde cada dia o céu te mostra algo novo, você percebe o que você vê?  eu ví meu amor crescer a medida que Dilúvio nascia, e sangrava, e vazando sangue, ainda cheia de esperança, porque: "esperança era sua última esperança mas baixo demais para o ouvido dos mortais."
E foi assim que eu entendi, o seu corpo é quase morte nesta guerra interna de sobrevivência, onde muros separam homens, onde o ego tenta trucidar um obra, mas não mata, porque a vida é muito forte, onde o ser humano ao receber poder tende a aniquilar seus próximos, onde a exaustão revela o bom coração, e o corpo em risco beneficia a força e a estima.

Quando Gerald expões seus corpos, ele expõe a sí mesmo, ele expõe seus dias de chuva, ele puxa esse barco desgovernado em jardins de guarda chuva quebrados e aprende a não dar valor ao que não tem valor algum. Gerald é transcendente, ele é como um cavalo selvagem porem doce e amável, Gerald não  acredita na realidade do rifle, e sabe que notícias falsas surgem a todo momento, e que possíveis guerra, ou guerras que nunca se findam podem mudar o seu dia mas Gerald em Dilúvio usou toda a "importância de ser fiel ao seu palco".






todas as fotos foram retiradas do Blog do Artista link abaixo
http://geraldthomas.net/drawings_paintings.html




https://geraldthomasblog.wordpress.com/2017/11/13/diluvio-short-video-film/

http://geraldthomas.net/PP_Dil%C3%BAvio-SP(final).html











Diluir...