segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Adriane Gomes "um olhar sobre a sua historia"

Adriane Gomes é Performer Artista  formada na Pontifícia Universidade Católica  em  Comunicação das Artes do Corpo fez dupla  Habilitação em Dança e Performance Arte - Estudiosa do Corpo e Tecnologia - Metrado no TID - Tecnologia da Inteligência e Designer Digital - PUCSP   my work in progress
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segunda-feira, 20 de abril de 2020

COVID 19 ...vencendo o medo da morte.

Desafio Covid 19


imagem Gerald Thomas
work in progress



...  estava ventando e eu estava cruzando a quinta avenida, quando a minha ficha caiu, não havia um único carro na rua. Parei e fiquei olhando o edifício Empire State, o silêncio jamais visto nesta cidade ecoou na minha cabeça, e essa imagem seria assim pelos próximos meses. Como uma cidade de interior, a cidade se fechou, e nos rostos uma mascara. um olhar triste e pálido... os dias eram ainda mais frios e os olhares se tornariam ainda  mais tristes. um caminhão gigante parou e de dentro dele saíram militares devidamente vestidos. Na volta resolvi comprar pão no supermercado mais próximo da minha casa e uma fila saia de dentro do supermercado indicando que quele não era mesmo o melhor momento. Pessoas com carrinhos abarrotados de caixas e sacolas e produtos de limpeza. Comecei a me sentir em estado de alerta, segui para o condomínio onde moro, e o supermercado também estava lotado. Eu não conseguia entender muito bem, porque as pessoas estavam comprando tudo. Tudo de comida e água e remédios... Todas as lojas estavam fechadas, apenas os supermercados, farmácias estavam abertos. as noticias eram alarmantes e os hospitais começavam sua saga de super lotação e gente morrendo nas UTIs. Tudo isso de uma hora para outra. neste dia eu chorei, sentindo o vento frio batendo no meu rosto. eu nunca vou me esquecer de ver a cidade em luto... os noticiários diários davam os números, indicava novas descobertas, mas não dava nenhuma pista para um final seguro...  e começou a chuva de fake news e aumentava as multiplicações das mortes. Nova York era o epicentro de uma pandemia, e sem duvidas o vírus andou em cada canto desta cidade. Ao longo de dois dias eu fui percebendo as pessoas desaparecerem,  ir ao supermercado era como uma viagem a lua, com luvar, óculos especial e capacete. foi neste processo que entendi sobre liderança, e força motriz para liderar uma cidade cheia de gente, uma ilha super lotada.
Será que estamos doentes, era a pergunta que estávamos nos fazendo todos os dias quando começamos a sentir alguns sintomas. Agora não era mais a rua vazia ou os olhares tristes, era em nós o próprio medo, e a palavra era "adjacentes", como uma casa que tem sua sala principal, quartos, cozinha, banheiro, e as dependências adjacentes. mas a preocupação não era apenas de aumentar o sistema imunológico, havia a mente, é ai o local onde mora uma enorme perigo. o Vírus se estabelece no sistema e propicia altos e baixos, um dia bem o no outro muito  mal, percebi minha mente funcionando muito rápido e com muitas imagens do passado. tentar detalhar o que eu senti é muito difícil, mas eu começaria detalhando uma enorme dor nas costas, baço, rins e fígado, cólicas intestinais, dor no peito como ardor, pele seca e escamosa, tremores internos, e tudo isso um dia atrás do outro. e durante quase dois meses. A sensação vital de sobrevivência, de encontrar animo e amor, parece ser um pulso vital para a sobrevivência, quando se é Imuno deprimido. O dia do Jardim foi decisivo. Eu precisava tomar sol, estava me sentindo muito mal e já havia emagrecido e estava muito fraca, triste e quanto mais triste mais eu perdia a vontade de viver. nada estava fazendo sentido e eu precisa de alguma forma escolher de que lado eu gostaria de estar. foi nesta fase que eu suava muito a noite e tinha falta de ar com uma mistura de visões, naquele dia eu me sentia tão mal que parte de mim sentia vontade de ir ao hospital e a outra parte sabia que não haveria espaço, estavam morrendo mais de mil pessoas por dia, não era o melhor a se fazer. eu chorei pensando que a unica coisa que eu queria era estar ali, em casa e jamais em um hospital. Foram dias muito tensos, onde mente e corpo se debatiam entre os dias bons e os dias ruins. 
 


terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Gerald Thomas Lança livro dia 11/12 no Sesc da Paulista

Amanha dia 11/12


Um homem se reinventando. um homem olhando para seu passado, e ao mesmo tempo reformulando sua magica historia como autor e dramaturgo. As referencia são inúmeras e com todas essas ideias de reinvenção e de criador constante é que Gerald volta ao palco para lançar seu novo livro. Ele não anda só, junto com toda essa historia criativa o livro veio com leituras de parceiros antigos e que fazem da sua historia um sucesso atras de outro. Mas mesmo assim... mesmo que ele goste de contar das vaias e dos projetos que não deram certo, falar do fracasso quando tem uma vida cheias de sucessos parece fácil.  mas não é!  quer saber mais: .https://geraldthomasblog.wordpress.com/

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Butterfly and Angels

Borboletas são anjos?

Tudo começou em um culto em Goias em 1994, quando uma mulher posou as mãos sobre minha cabeça e disse: eu vejo um jardim de margaridas florido, e falou em línguas de fogo, ou línguas dos anjos. eu tinha menos que 15 anos e pensava apenas em morrer. Ela não sabia que minha mãe se chamava Margarida e que um anos antes eu havia tentado suicídio, e que agora eu tinha uma questão seria para entender. O que jovens de 15 anos podem ter de tão serio? Aquele momento era o auge da AIDS e ninguém sabia nada sobre...

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A arte visionária de Gerald Thomas


A arte visionária de Gerald Thomas



Submersos… nós estamos na sala sentados afundados em um sofá e lá fora chove. Em Nova York o céu está coberto por uma névoa densa que cobre a visão da janela e na televisão, casas submersas, árvores caídas, e a água sobe…
Submersos e catatônicos… a poucos dias atrás o furacão Florence veio trazendo um dilúvio de águas, agora vem o Furacão Michael, e lá fora chove, e na televisão os destroços, meu D´us não sobrou nada tudo foi destruído, e ele segue seu curso, e nós estamos aqui sentados submersos de notícias de dilúvios, de fake news, de Trump, Bolsonaro. Estamos submersos e tristes.
Na TV os jardins devastados, corpos frágeis tentando atravessar a chuva e o vento…Gerald sentado como uma criança.  Ele poderia ver “D`us” puxar um barco de expectativas. Só as crianças podem ver D`us.
Foi num grande rompante que eu comecei a perceber e identificar o processo criativo de Dilúvio como uma visão do futuro.
Dilúvio antes de tudo é a arte visionária do autor e diretor Gerald Thomas que aconteceu no Sesc Anchieta em novembro e dezembro de 2017, não é a toa que todo o trabalho era guiado por um tambor, “o tambor que guia a arca do que não é…” Gerald sempre brinca dizendo isso, mas no passado os barcos eram mesmo guiados por um homem que tocava tambor enquanto os outros homens remavam”.

Dilúvio é mais que uma peça de teatro, é o contexto futuro de um situação política, da crise humana e da guerra nas relações devido a discordâncias políticas.

Quando a peça inicia, uma mulher completamente triste, apática, suspensa no ar, uma lua melancólica onde o tempo se esvai. Uma terrível falta de esperanças, a sensação de um corpo cansado.
Este estado corporal é o corpo do Brasileiro, cansado e sem esperanças, onde nada o motiva, esta é a posição ao qual nos encontramos hoje.

Gerald tocava o tambor guiando essa arca é a latente batida de um coração tocada para guiar vidas, e parece contar uma fábula do presente porque o visionário vê como o presente forma o futuro.
Nos primeiros onze minutos de peça, Andre (ator) entra carregando um desenho, e nesta imagem um homem com uma flecha enfiada no peito com seus braços suspensos atravessa o palco. Seria esse desenho uma imagem de alguém que fora atacado? Poderia essa imagem conter a situação do atual candidato que foi atacado com uma faca?
Em seguida duas mulheres lutam, a luta entre os corpos refletem não só a ideia de jogo, mas a luta por ideais, as separações entre as pessoas. Somos quase fantoches - daqueles que detém o poder. mesmo que haja amor entre as pessoas os ideais separam as pessoas. Não somos mais capazes de ouvir o outro.
Uma carroça entra sendo puxada por um humano, esse, um trabalhador que puxa a carroça, e acabou de perder todos os seus direitos, vem sendo escravo há séculos. O Brasil é um país escravagista, e os direitos do trabalhador deixam de ser algo humanamente importante.
Sentado na carroça, o homem Branco que está no poder, quer ser entretido pela guerra dos corpos ou por puro desejo de julgar ou subjugar aquele que lhe serve.
Seremos sempre a plebe que sobe a montanha? No espetáculo existe um refrão que diz “ ...digamos de amaldiçoados, como a plebe subindo a montanha, ah, mas amados mesmo assim, interjeições inimagináveis, antigos filósofos gregos ejaculados junto com seus lugares de origem, sugerindo, quando possível, conquista de reconhecimento  ELE NÃO ESTÁ AQUI, bem audível isso, bem audível mesmo assim não totalmente satisfatório, por causa das intermináveis dúvidas, como por exemplo, QUAL DIÓGENES?”
A plebe de Gerald, assim como em “Fim de Jogo”, ou na relação entre Pozzo e Lucky em “Esperando Godot”, os personagens de Samuel Beckett são seres destruídos pela falta de esperança.
É neste jardim de destroços, de guarda chuvas quebrados, onde as esperanças não são mais apenas esperanças, tentamos crer em alguma mudança possível.
Mas no país onde já tivemos uma ditadura militar, pessoas foram assassinadas, desaparecidas, enforcadas, torturadas, eletrocutadas, jogadas de helicópteros, de aviões, etc.
No país onde corpos de pretos, índios, mulheres, gays, trans, maconheiros, transeuntes, pobres, analfabetos, desdentados, trabalhadores rurais e todos os sujeitos que não estejam no padrão reconhecido como merecedor de dignidade, também, paradoxalmente existem algumas exceções: alguns poucos  brancos intelectuais também entraram pelo cano. Ou na forca.
Esses corpos dependurados como em “O cão que insultava mulheres, Kepler the Dog” (2008), ou em “Bait Man” (2008) onde a abertura são leitmotifs parecidos: humanos, assim como iscas: dependurados.
Os direitos humanos estão sempre presentes na obra deste artista. Nos anos 70, quando ele trabalhava na Anistia Internacional, em Londres, Gerald lutou contra os corpos dependurados como isca em anzóis. Pois! Esse é nosso passado recente, ainda presente, e com muito temor poderá ser o nosso futuro.
A poucos dias uma matéria reportava que muitos Brasileiros negavam o fato de que houve o holocausto, e também negam  que houve ditadura e nas urnas pedem um novo governante com tendências neo fascistas, há um desejo de submissão, e o desejo de destruição, não basta relembrar, é necessário reviver?
No espetáculo Dilúvio (2017) dois corpos representam “torres” que caem uma seguida da outra e se transformam em humanos deformados, sangrando e ao mesmo tempo clamando por seus paus e buracos, quase na boca de cena a área armamentista os cavalos de tróia em seus tanques de guerra, todas essas imagens misturadas a uma terrível falta de esperança e crença no futuro.
Agora o homem do foguetinho não é mais tão importante, era uma espécie de Fake News para as fotos e os futuros apertos de mãos com assassinos Sauditas, ou parcerias suspeitas com a Rússia, e possíveis envenenamos e cartas que se auto-destróem porque são todos espiões Russos, e podem roubar tudo a qualquer momento.
O FaceBook é o mundo Fake do Pequeno garoto que deseja o reconhecimento do seu Pai. Pequeno Garoto FAKE.
Na mesa de tortura Ustra, encontra se corpos vermes, corpos engavetados, corpos mortos, mas porque temos que relembrar a tortura?
Três anos antes de Dilúvio, no congresso Nacional  estava o Candidato a futuro presidente do Brasil que tem como livro de cabeceira O USTRA - cismo, ele oferece seu voto de Impeachment contra a presidente que havia sido torturada pelo Ustra como presente ao torturador e deixa claro em seus depoimentos que é a favor da Tortura e que não houve Golpe Militar no Brasil.

Como artista Gerald Thomas recebe as situações do porvir, ele já foi chamado ao longa da vida de Visionário Apocalíptico e ao longo da sua vida, o “humano” é seu tema no cotidiano sua vida simples e suas preocupações com o mundo refletem o artista inteiro e radical uma vida devota a arte.
Em Dilúvio a dor do corpo, as mazelas humanas cada símbolo contido, tudo se torna muito importante neste momento em que estamos vivendo uma angústia e um medo terrível.
O sangue inocente jorrando e todos os assassinatos, de Mariele, de Moa, do jornalista Jamal Khashoggi, da travesti atacada por cinco homens enquanto a matavam gritavam o nome do… vocês sabem quem!? vocês sabem...  
Na última cena de Dilúvio a atriz entrando com um sonoro samba ecoando sobre nossas cabeças, pedaços de corpo espalhados no chão, e ela pega pedaços de corpos e uma cabeça degolada.
Uma das promessas desde próximo governo é acabar com o samba, e com as Ongs e com tudo que seja arte. Porque artistas para esses homens artistas são vagabundos. Segundo eles mamamos nas tetas do Governo. Agora uma vaca sem leite, o grande leitão de ouro mandou mudar a retórica, e arte para que mesmo? me digam para que?
Na internet fotos dos eleitores dele vocês sabem quem... vestidos com a camiseta do ex presidente Lula “degolado”. Eu não sou petista desde o história da cueca de dinheiro no aeroporto, mas nada disso faz sentido. A imagem do ser humano desolado e em silêncio, estaremos contando as luas todos os dias... todos nós contando os dias para ver alguma mudança possível.

A Luta selvagem nas redes sociais, a tortura mental, e a afronta ao diferente não dá pra esquecer a experiência do público, o riso nervoso e o choro da plateia. Muitas pessoas saiam do teatro chorando todos os dias.

O artista apresenta o invisível aos olhos, ou o mundo dos espíritos. Assim como Bispo do Rosário, ou Moacir Soares Farias, assim como grandes mestres visionários a frase de Gerald Thomas explica bem o que estamos vivendo: “Esperança era sua última esperança,mas mesmo assim baixo demais para o ouvido dos mortais. E outras vezes imaginar um outro extremo tão duro de imaginar

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Ainda não é o fim?


Ainda não é o fim?

Na sexta feira passada, saí para uma caminhada longa pela cidade, até chegar em Times Square, e parei no meio daquela enorme praça e fiquei olhando aquelas pessoas andando perdidas, achadas, se achando em ondas, se dando as mãos pra nada ou pra não se perderem ainda mais e,  milhares delas, de “todos os lugares do mundo”, sob as luzes Leds - com imagens e propagandas vendendo - , e pensei na luta de um homem para que esse país seja o pais de todos.

Voltei para casa com passos certos sobre o que é essa noção de “LIBERDADE".  A vida é uma "eterna novidade" como diria Alberto Caieiras no seu poema “O Cancioneiro”. Caieira era um dos codinomes de Fernando Pessoa que usava Caieiras para ver a vida sob um ponto de vista mais doce: “Amar é a eterna inocência".  Será mesmo uma eterna novidade? Será mesmo uma eterna inocência o amar? Ou uma sequência de desencantos? Caieiras descreve a vida por um ponto de vista romântico e vê na natureza os maiores encantamentos que um homem pode ter. A vida no passado, tão dura e cheia de guerras, grandes batalhas, teria sido ela apenas uma passagem repetitiva e exaustiva onde essas guerras estavam nos colocando sempre por um fio? É tudo tão rápido, transbordando de notícias como num flash que sequer absorvemos o crash.


CONFUSAO e DUVIDAS


Das "bad news" e das "fake news" ficamos com a enorme dúvida: como sobreviver no mundo das notícias repentinas e como não afundar de medo diante de tudo que serve apenas para causar confusão e dúvidas e para amedrontar e desapontar uma nação? Todos os dias vem uma nova notícia para renovar as novidades de um mundo onde tudo é a venda de uma “nova”.  Quem compra essa “novidade"? O tempo dribla a realidade. Entende-se que as piores novidades são catastróficas e que por elas você não esperava.

Essa angústia toda  te leva a alguém especial, pessoas especiais que nos fazem ficar de boca aberta, que nos fazem repensar a nossa existências.  Assim foi com Aretha Franklin …. e vocês sabem né!!! Aretha Franklin ela é… ela é… é isso… vocês sabem muito bem o que isso significa…

Sua despedida foi uma grande festa.
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De alguma forma Deus escolheu essas últimas semanas para levar gente muito importante. Não foram dias fáceis, alguns dias depois o Gerald estava recebendo a notícia que o diretor de redação da Folha de S.Paulo Otávio Frias Filho havia falecido, sem acreditar na notícia e arrasado, seguido de vários dias tristes e introspectivo, em silêncio e sentindo o vazio, aparece na TV parando um tratamento médico contra um câncer John McCain e já no dia seguinte à notícia de seu falecimento, ele chocado nos dois dias seguidos caiu em uma tristeza enorme e por todos esses dias esse LUTO se estende, e seus olhos sempre baixos. Assim seguiu se a semana toda, e seu luto está apenas começando.
Esse homem era John McCain, literalmente um homem forjado a ferro e fogo, um conservador considerado " rebelde" dentro de seu próprio partido, foi torturado, foi prisioneiro de guerra no Vietnam, conta com uma história absurda de força e coragem elutou contra tortura em todos os fóruns internacionais que lidavam com os direitos humanos. Foi Presidente do Comitê de Assuntos Indígenas e isso não é pouco. São pouco os homens brancos capazes de entender a verdade da História de um povo que fora dizimado, devolver terras aos seus verdadeiros donos é uma luta incansável. Eu não fazia ideia de quem era John McCain, e ao pesquisar sua vida fui me apaixonando por esse homem, que agora é parte da história de um povo, de uma nação, e que a cada passo foi um trabalhador fiel, jamais da burocracia ou de seu partido mas sim da sua consciência, da sua vontade de ver o mundo livre, de ver os povos gozando de liberdade.
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Na quarta feira, passamos a manhã assistindo seu emocionante funeral, e as homenagens de todos os lugares dos EUA e acompanhando as dedicatórias daqueles que viviam mais próximos à família.
Ao longo do luto e a emoção de entender tudo que esse homem deixou. Eu não preciso ser americana para entender o valor deste homem  para a humanidade.

Na Times Square no meio daquele enorme cruzamento pessoas de “todos os lugares do mundo”, e os Leds Lights com imagens de propagandas vendendo, sempre vendendo. A mistura de tanta gente diferente, de várias línguas vários sons  misturados e transformando tudo em um canto sonoro, em meio ao barulho dos carros.
Eu pensei na luta de um homem para que esse país seja de todos, voltei para casa com passos mais rápidos, o sol já estava baixo, e meu pensamento estava na liberdade, de toda pessoa estrangeira de todo cidadão.  LIBERDADE o significado de estar aqui e de entender que um país não se faz sem luta, sem que alguém esteja no combate na busca incessante para o bem de toda nação, quem somos nós diante de pessoas tão importantes?
Ao chegar em casa, meu telefone tocou, estava mudo, então uma mensagem dizia não ter boas notícias, e uma novidade veio era a morte de uma Prima, uma pessoa especial, considerada curandeira, que conhecia à finco as ervas do cerrado, que cultiva ervas para curar pessoas, os dois estavam partindo por causa de um câncer terrível. A vida e sua brevidade, esse tempo linha, esse tempo vento...
Meu luto agora é enorme, eu fiquei chocada, a brevidade da vida, esse sangue que corre nas veias, essa dor infinita... e agora estamos os dois de luto, esse luto sanguíneo e essa luta para sobreviver a morte de pessoas tão incomuns e especiais.
Hoje é sexta feira, a TV mostra os últimos momentos de despedida do Senador John McCain, eu não tenho notícias da minha família, mas aqui dentro do meu coração, estou me despedindo de parte da minha história que só ela sabia contar, estou me despedindo da mulher que falava da minha mãe e que contava história de nossa família. Hoje já não sabemos mais o que dizer, estamos apenas escutando o som da dor.  Gerald escuta o funeral, e ainda parece não acreditar, seus olhos continuam marejados, e os meus também, e choramos e ele balança a cabeça de um lado para o olho e olha incrédulo para a TV. Eu me sento ao fundo e escrevo como um grito de dor que sai da minha boca.
Porque a morte muda a história, porque a morte nos faz repensar a existência?
A morte é essa dor tremenda de perder não apenas um homem ou uma mulher, os filhos ou pais e mães, seu cachorro, ou seu companheiro, mas tudo que nos é importante e insubstituível.
Não somos formigas e mesmo as formigas lutam para manter a vida de suas rainhas.
Não existe comparação a perda de pessoas tão importantes para a humanidade, ou uma pessoa do mesmo sangue, o que muda é a falta, o não ter mais como, ou o que essas pessoas significam para o mundo, e tudo que elas construíram.
A esperança de que a partir de agora possamos entender que não apenas algumas pessoas são únicas, especiais, como mudam o destino da humanidade, e desperta em todos nós o sentido da vida, o sentido de crer na mudança, na ética, e no respeito aos povos.

De luto, na luta, todos os dias... tentando e errando, mas não estamos errando melhor como diria Beckett ou o Gerald, quando após uma briga ou um erro meu, ou um erro nosso superamos a crise e percebemos no erro uma possibilidade de melhorar, para errar de novo, errar melhor.  

Mas não estamos errando melhor quando se trata de Arte no Brasil, ou da memória do povo. Com a Morte anunciada da nossa memória. O museu Nacional do Rio de Janeiro pegou fogo e tudo foi destruído, estamos de luto, estamos sufocados com todas as cinzas das memórias Brasileiras, do Povo Português, da Nação Indígena, e de todos artefatos, tudo… que se foi.: "Enquanto isso eu queimo, vocês queimam, queimam e entra em vossos pulmões para virar, digamos assim…TUDO vira uma enorme fumaça de rancor cancerígeno." Eu queimo Basco. (Eu queimo basco. Gerald Thomas)
Errar melhor. Para que essa sensação de não ter tido a oportunidade de mais um encontro, essa sensação de fio na navalha, de último minuto e depois nunca mais.
Sentir que a vida pode ser melhor. Valorizar o que está aqui e que a morte nos sirva de lição para mudar, transformar essa nossa dura realidade. Estamos de LUTO. Mas nunca é o fim… até que um dia será o fim, mas aí você não estará lendo isso.
Incêndio no Museu Nacional da UFRJ, na Quinta da Boa Vista